Sócrates anda esquecido…
Sócrates, primeiro pedagogo consagrado pela História, anda esquecido. Tantos psicologismos usurparam seu lugar educativo da Filosofa dando origem a uma espiral infinita de abordagens teóricas desconexas da realidade educacional. Raros são os homens que merecem reconhecimento no reduto da pedagogia, no tocantes às questões da educação, como Sócrates. Filósofo e, por vezes, com merecimento, considerado pedagogo, Sócrates destaca-se por sua didática maiêutica focada na autonomia e na liberdade intelectiva desempenhadas por educador e educando numa relação recíproca de troca de conhecimentos e valores morais.
A reminiscência é o cerne da proposta socrática para a paideia, a formação do homem grego. O ato de aprender para Sócrates, consistia em uma empreitada que visava induzir o sujeito a relembrar de todos os conhecimentos que essencialmente sempre foram parte de sua integralidade, embora esquecidos. Isto é, o ato de aprender, em sua cosmovisão, era relembrar o que sempre soubemos e, assim, por via, de um diálogo instigado e orientado pelo mestre, lembrar-aprender.
Curiosamente, muitos são os aspectos que compõem um paralelo entre Sócrates e a figura mítica de Hórus (Cristo). Dentre os mais relevantes, ambos nada deixaram escrito, fazendo assim valorizar o diálogo e a livre troca de conhecimentos, exaltaram a soberania do Bem e se empenharam em defendê-lo em prol de uma sociedade pacífica e justa, fundamentada na “admiração” pela alteridade e no respeito por ela.
A Espiral Psicopedagógica
É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática. (Paulo Freire)
Só sei que nada sei, e o fato de saber isso, me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa. (Sócrates)
Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo. (Paulo Freire)